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Outra EMEL – Não Obrigado…

Estacionamento…

Temos por defeito a resistência à mudança e a novos modelos em que tenhamos a menor desconfiança de que os nosso hábitos possam ser afectados. Faz parte da natureza humana e isso é facilmente notado em todos os momentos da nossa vida, principalmente quando essas mudanças envolvem dinheiro ou algum tipo de desconforto.

Temos o hábito de estacionar e não sair da nossa zona de conforto.

Analisando desta forma o polémico estacionamento do centro do Cartaxo, já de si resultante de umas outras tanto polémicas obras de requalificação do centro da cidade, também aqui fica visível a capacidade do ser humano de não olhar friamente para a realidade e querer manter as coisas como estão.

Quando se fala tanto em privatizações e em abandonar o estado enquanto parte do mercado empresarial, deixando que seja a livre concorrência a estabelecer os preços e os modelos de negócio que irão servir no futuro, aparecem normalmente (por várias razões) as contestações e os protestos.

De forma legal (aquela que sempre se pretende, mas nem sempre a mais barata) está em curso um processo eleitoral para referendar algo que vai custar mais a referendar do que custou a construir. (Basta pensar no número de pessoas envolvidas no processo, somar os custos administrativos e legais, os custos das campanhas… para começar).

O referendo não deve expressar mais do que 30 ou 40% da população do concelho (a julgar pela abstenção das últimas eleições).

A pergunta é mais vaga que um discurso do ministro da economia, não pelo seu conteúdo, mas pela falta de informação de quem vai ter de votar neste “mini-referendo”. Por essa razão, devem ser ainda mais aqueles que vão preferir ficar no sofá do que ir meter qualquer cruzinha no boletim de voto.

No fim, a própria razão do referendo. Dar a um privado a concessão de um estacionamento público ou assegurar que este se mantém (pelo menos por agora) na responsabilidade da câmara municipal.

Se o parque custou XXX EUR, entregar a um privado será naturalmente a forma mais rápida de recuperar o capital, transferindo para o outro lado o risco de receber o capital.

O custo de manter o parque estaria do lado da empresa privada (normalmente bastante mais conhecedora do modelo de negócio e da estrutura necessária para suportar a actividade), tal como o risco de ter ou não utentes. Ao manter esta situação do lado da câmara estamos não só a assumir esse risco, como a atrasar a recuperação de capital investido, necessário para suprir outras necessidades da edilidade.

Além disto, sabemos que as empresas municipais (que é a forma legal dos municípios suportarem este tipo de negócios) são autênticos sorvedouros de capital público e raramente conseguem obter lucros, sendo apenas mais um buraco numa câmara já bastante endividada. Os funcionários existentes não são qualificados para o sector e teriam de ser “formados”, custo adicional para o estado.

A EMEL é um dos exemplos práticos do que foi deixar o estacionamento em Lisboa na alçada da Câmara Municipal. Preços totalmente disparatados, empresa com prejuízos na ordem das centenas de milhar de euros e um continuar de luxos à conta do contribuinte.

Não falando apenas da EMEL, a Empresa Municipal de Estacionamento de Loures também apresentou nos seus resultados de 2010 um prejuízo de 78 milhões de euros.

Deixar o estacionamento na responsabilidade da Câmara não irá trazer benefícios de maior, uma vez que a estrutura de custos será (na melhor das hipóteses, já sabemos como é o estado a poupar) semelhante á utilizada pelo privado, logo os preços terão se ser no mínimo iguais para que não se torne um buraco a necessitar de constantes injecções de capital (mais um).

Será necessário sim assegurar com o privado uma política de incentivo ao estacionamento com preços diferenciados para comerciantes e clientes do comércio local do cartaxo, descontos para quem frequenta a noite do Cartaxo (em altas nos tempos que correm), por exemplo, e não fazer tudo isto á custa de parcerias público-privadas como tem sido apanágio nos últimos anos (com modelos de compensação astronómicos), mas sim com concursos e negociações alargadas e com a capacidade de prever estas situações antes de redigir um contracto.

Não podemos deixar nascer uma EMEC – Empresa Municipal de Estacionamento do Cartaxo, com risco de esta se tornar em mais uma Empresa Municipal de Extorsão do Contribuinte.

Tenho dito.

No final tudo se resume a uma questão totalmente diferente daquela que está no boletim:

“Acha que o executivo camarário tem capacidade de conseguir um acordo que defenda os interesses da câmara?”

Aí sim tenho as minhas dúvidas, tendo em conta negócios anteriores. Mas para que se possa chegar a bom porto é necessária a crítica construtiva e a participação activa nas várias fases do processo e não entrar em utopias do estado enquanto elemento que assegura qualquer tipo de vantagem em relação ao privado.

11
Nov 2011
POSTED BY Sandro Santos
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Portugal

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Paralisações…

Democracia

Será que é fácil as pessoas perceberem o que representa o direito a qualquer coisa? O direito a expressar-se? O direito a indignar-se? O direito ao protesto?

Durante muito tempo o povo português foi obrigado a suportar um regime opressor que impedia a liberdade e os direitos básicos de qualquer cidadão em democracia. Mas será que o que foi conquistado no 25 de Abril foi na realidade compreendido por quem hoje toma essa liberdade como uma bandeira de toda e qualquer causa?

Durante o dia de hoje vi notícias sobre o movimento e a paralisação dos camionistas portugueses, que por várias razões não consigo deixar de lamentar e repudiar. Não a paragem em si e as acções de protesto a que todos têm direito e a luta pelos seus interesses, mas sim pela opressão e pela violação dos direitos dos outros que igualmente deviam gozar da sua liberdade.

No último sábado assisti ao Protesto da Geração á Rasca, que embora com as motivações erradas (penso eu, e tenho esse direito) foi ordeiro e pacífico, tendo demonstrado os seus intervinientes as suas ideias e os seus desagrados sem com isso incomodarem ou violentarem as outras pessoas.

Este é diferente.

Em primeiro lugar, porque a paralisação se está a fazer á custa dos empregados, quando a condição é essencialmente do patronato. Porque acredito que embora muito recebam os seus vencimentos mesmo sem trabalhar, muitos são os que foram obrigados a parar e a fazer uma greve que não querem e a pensarem em como vão alimentar as suas famílias sem os dias de ordenado que não vão receber.

Em segundo lugar, porque existe opressão. Existe violência. E a partir desse momento toda a razão que pudessem ter desaparece na irracionalidade e no movimento que fazem contra a liberdade dos outros. Uma criança ferida, pneus cortados e viaturas danificadas não é uma paralisação, é vandalismo e agressão.

Em terceiro lugar, porque é preciso que a lei seja cumprida. Obter direitos á custa dos direitos dos outros não me parece uma situação que tenha justiça. Pedir que o estado suporte uma classe profissional em detrimento de tantas outras que estão numa condição igual ou pior não me parece a solução para o problema.

Em último lugar, porque o problema também passa pela própria classe. Se um determinado cliente não aceita as tabelas de preços actualizadas, então é porque tem alguém que está a trabalhar mais barato. Afinal de tão unidos que são, estão minados por alguns deles…

Tenho dito…

14
Mar 2011
POSTED BY Sandro Santos
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Portugal

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Artigos

Bem vindo ao meu blog!

Existem dias em que decidimos fazer algo de novo, ou de diferente. Desta vez resolvi que ter um punhado de blogs, espalhados por um sem número de endereços, com não sei quantos comentários já não fazia mais sentido…

Assim, seja poesia, sejam noticias, sejam factos da vida ou constatações absurdas de uma realidade sórdida, vem tudo parar a este pequeno espaço que espero que passe a ser um ponto de paragem para todos os que gostam daquilo que escrevo ou penso…

Estarei durante os próximos dias a actualizar todos os posts que estão a ser retirados dos outros blogs para este.

06
Jan 2010
POSTED BY Sandro Santos
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Geral

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Sem ti…

Será que já te esqueci?

Que o sonho já morreu?

Que a tua voz já não me toca?

Que o teu olhar já não me faz tremer?

A cada linha que escrevo, chamo-te,

A cada traço que pinto, desenho-te,

A cada som que componho, falo-te,

A cada fotografia que tiro, vejo-te,

A cada pensamento que tenho, imagino-te,

A cada palavra que digo, quero-te,

A cada gota de chuva, choro-te,

A cada momento que passa, desejo-te,

Porque não consigo esquecer?

Dizer que me és indiferente?

O meu mundo estava tão calmo,

Quanto eu era tudo, sem ti…

12
Nov 2009
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Poesia

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Desculpa

Aquela esquina triste,

Onde me lembro de ti,

Do teu sorriso distante,

Do dia em que te conheci,

No negro do meu coração,

O sol nunca mais nasceu,

A minha vida parou,

O meu sonho desvaneceu,

A loucura tomou conta de mim,

Venceu a minha razão,

Parou o ser diferente,

Arrasou-me com solidão,

Serão as minhas lágrimas,

Mérito de uma paixão,

Que no teu abraço,

Procuram a salvação,

Preciso da tua face,

Preciso do teu olhar,

Do teu silêncio ensurdecedor,

Da tua face que me faz recordar,

Que a vida é mais que uma queda,

Que uma bala perdida sem culpa,

Que um dia eu devia ter parado,

e ter dito simplesmente… desculpa…

22
Oct 2009
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Poesia

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Revolta

Revoltam-se em mim,
pensamentos profundos,
volta a minha história,
contada em segundos,
os medos que sentia,
outrora desaparecidos,
voltam agora mais fortes,
menos esvanecidos,
os sonhos que criaste,
e as palavras queridas,
são sombras negras,
de ideias esquecidas,
os monstros voltam,
e alimentam-se em mim,
descobrem novas formas,
revelam-se enfim,
e não consigo combater,
sinto que desvaneço,
e mais uma vez penso,
será mesmo que te mereço,
começo a desistir,
fraco e cansado de lutar,
outrora simples de ver,
agora dificil de alcançar,
desculpa-me pelos erros,
pelas palavras em vão,
por hesitar sem agir,
por magoar o teu coração,
mas já nada faço,
sem sentir que errei,
mas no fim de contas,
sei que te magooei,
tenho medo,
daquele eu que esqueci,
quero evitar,
que ele se espelhe em ti…

20
Oct 2009
POSTED BY Sandro Santos
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Creatividade, Poesia

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Quem és tu?

Olho hoje para ti,
Reflexo do tempo passado,
Que no medo do mundo,
És um projecto inacabado,

És sonho imperfeito,
De um passado cruel,
És desejo perdido,
De uma amizade fiel,

És agora raiva,
Paixão errada e sem sentido,
És coragem e medo,
Num mundo interrompido,

És tragédia sonhada,
De um amor inacabado,
És sonho de um anjo,
De um céu desarranjado,

És flor despida,
Moeda enferrujada,
Silêncio de um vazio,
De uma morte anunciada,

És simplesmente tudo,
O presente de uma vida recheada,
És a vida que sonhei,
Quando vi que não tinha nada…

03
Sep 2009
POSTED BY Sandro Santos
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Creatividade, Poesia

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Dias Cinzentos

Voltaram os dias cinzentos,
que me fazem recordar,
os meus medos e os meus sonhos,
que me faziam vibrar,

Penso em ti pela manhã,
enquanto recordo e divago,
a chuva cai devagar e solta,
como tu no meu passado,

Olho para ti e não te toco,
Ainda que pudesse,
A minha alma está desfeita,
O meu corpo não me obedece,

Silêncio, apenas silêncio,
por mais que grite sem sentido,
que estou magoado, ferido,
não respondes, estou perdido…

Onde estou…..?

02
Sep 2009
POSTED BY Sandro Santos
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Poesia

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A percepção das ameaças

Nunca tinha pensado nisto por este prisma…

Todos os dias olhamos para o mundo, quer do ponto de vista pessoal,
quer do ponto de vista profissional e pretendemos ver as ameaças que
temos á nossa volta… mas no entanto continuamos a procurar apenas
aquelas que de forma directa nos ameaçam.

Todos os dias pequenas alteração tornam a nossa vida mais dificil e
essas talvez sejam as reais ameaças que temos sempre tendencia a
ignorar.

O paralelismo com a história do Sapo levou-me a pensar em algumas
situaçoes que encontrei actualmente:

Ao falarmos de crise toda a gente pensa no actual, no que está a
acontecer agora, mas se formos ver com mais atenção, as guerras do
petroleo, o medo do terrorismo, as economias emergentes, os sistemas
financeiros sem controle, o querer crescer dos paises em vias de
desenvolvimento, as novas potencias… já existem á muito, mas só
agora é que tomamos a verdadeira face do problema… mas como foi
gradualmente agravando, ignoramos…

A mesma coisa acontece no nosso trabalho, todos os dias… cometemos
pequenos erros, dispensamos pequenas atenções e pensamos que ninguem
liga … e então só se preocupamos no final do ano, nas renovaçoes,
nas alturas de avaliações…

A nossa melhoria tem de ser continua, tal como as ameaças o são, para
que possamos poder responder de forma efectiva… ou proactiva… ás
coisas….

Ainda tenho que pensar melhor isto…

11
Dec 2008
POSTED BY Sandro Santos
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darwin.thinking

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Começou a minha leitura

Aqui começo uma leitura (The Fifth Discipline) que acredito que pode
mudar algo da minha vida…

Escrevo pouco, interessado no que leio… mas ficam algumas ideias em
que nunca tinha pensado… a unica coisa que nao precisamos de
aprender é a aprender, porque isso nos é inato… aprendemos a andar,
a comer e acima de tudo aprendemos a chorar como forma de comunicar…
e até diferenciamos varios tipos de choro para explicar o que temos…
antes de aprender a falar….

E eu todo contente que andava a ensinar coisas ao meu sobrinho de 3
anos… provavelmente, se o observar ainda aprendo mais com ele do que
ele comigo…

Este sábado, depois de ouvir as coisas do Marco, finalmente percebi
dois dos livros que tinha como “doutrina” (a malta que me deu nas
orelhas no almoço do JSM percebe a deixa), o “Como fazer amigos e
influenciar pessoas” e o “Como deixar de se preocupar e começar a
viver”, ambos do Dale Carnegie.

Realmente percebi que ele não faz mais do que relatar o que as pessoas
fizeram de mal e como superaram os seus problemas. Basicamente ensinou
com o erro dos outros, dando a hipotese de aprendizagem evolutiva.

As coisas são tão simples quando as percebemos…

13
Jul 2008
POSTED BY Sandro Santos
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darwin.thinking

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